segunda-feira, 10 de outubro de 2011

No vestido da Mona Lisa, mais um segredo



Por Liza Foreman | Financial Times
Ao longo do decote da mulher do comerciante de seda, Da Vinci pintou nós em um padrão octogonal: o “círculo quadrado”
As coleções exibidas nas tendas montadas nos jardins do Palais des Tuileries para a semana de moda de Paris podem ser surpreendentes, mas uma das descobertas mais polêmicas envolvendo roupas está um pouco mais adiante, no Museu do Louvre. A cineasta Caroline Cocciardi, cujos créditos incluem o documentário “Mona Lisa Revealed: Secrets of the Painting” (2009), diz ter descoberto nas dobras do vestido da Mona Lisa a resposta para um mistério matemático.
Após 20 anos de investigações, Caroline diz ter encontrado evidências de que Leonardo da Vinci pode ter feito história na geometria ao completar uma de suas antigas obsessões: tornar o círculo quadrado (criar um quadrado e um círculo de áreas iguais). O resultado está em um complexo laço bordado ao longo do decote do vestido, afirma ela.
Antes, pensava-se que Da Vinci teria chegado perto de solucionar o antigo problema em 1504. Jacques Franck, um estudioso de Da Vinci e consultor do Louvre, diz: “No Codex Atnalticus [escritos de Da Vinci datados de 1478 a 1519], ele afirma ter concluído um tratado sobre várias maneiras de transformar círculos em quadrados. Segundo um texto de seu manuscrito “Madrid II”, a “solução” de Leonardo foi obtida em 30 de novembro de 1504″.
Da Vinci começou a pintar a Mona Lisa em 1503 e a tinha em sua posse quando morreu em 1519. Cocciardi ficou curiosa a respeito do vestido depois de ler relatos de que o estilo estava fora de moda em 1503 e normalmente não era usado em retratos. Ela começou a observar os nós que Da Vinci pintou em seu retrato e desenhou em seus manuscritos – uma área relativamente inexplorada de sua obra.
Ela consultou a especialista em moda da Renascença Carole Collier Frick, professora de história da Southern Illinois University, o fotógrafo e engenheiro parisiense Pascal Cotte, e o Centro Francês de Pesquisa e Restauração dos Museus da França.
Cocciardi e Cotte colaboraram com a exposição itinerante Da Vinci, o Gênio, que ganhou as manchetes dos jornais em 2007 quando a fotografia em alta definição da Mona Lisa feita por Cotte revelou que ela tinha cílios e sobrancelhas. Ele também encontrou uma camada de renda sobre o vestido que não era mais visível a olho nu.
O trabalho de Cotte permitiu a Cocciardi analisar mais atentamente o vestido. Ela descobriu um “padrão [de nós] entrelaçados, octogonal e sofisticado, no decote do traje da Mona Lisa” – um desenho que não é típico do período.
“Durante anos eu pensei que o padrão era feito de círculos entrelaçados e nós turcos”, diz ela. “Mas em uma inspeção mais cuidadosa algo descobri muito diferente que não segue nenhum outro padrão encontrado na moda.” Ela diz que há uma solução para a transformação do círculo em quadrado dentro desse “padrão geométrico elaborado” – um tipo de código Da Vinci.
Franck diz: “é verdade que Leonardo costumava introduzir significados implícitos em suas pinturas. Ele não teria pintado os padrões de ‘círculo quadrado’ antes do fim de novembro de 1504, uma data que corresponde à da pintura do retrato”.
Outros especialistas possuem pontos de vista diferentes. Joanna Woods-Mardesn, professora da UCLA acredita que o significado do vestido está na sua condição de algo muito próximo a um “deshabillé” [espécie de penhoar de luxo feito de tecido leve]. Talvez ela esteja usando uma vestimenta bíblica atemporal que deveria evocar a antiguidade. No entanto, somente antes de ir para a cama uma mulher aparecia com os cabelos soltos, e com aquele sorriso enigmático.
Martin Kemp, professor emérito de história da arte em Oxford, diz que “o vestido é de uma elegância superior e contida. O marido de Lisa Gherardini era um comerciante de seda. Há uma camada superior transparente de seda sobre seu vestido, que se junta aos nós”.
E o aspecto geométrico? “Leonardo passou muito tempo tentando transformar o círculo em quadrado”, diz Kemp. “Duas vezes achou que havia conseguido, mas nunca chegou ao ponto de resolver totalmente o problema, porque ele não pode ser resolvido.”
Não se sabe se a teoria de Cocciardi servirá para promover os estudos sobre Leonardo da Vinci ou se ela vai se transformar em outra grande suposição, embora ela observe que vem sendo consultada sobre sua teoria por vários “Da Vincis” – que é como ela chama o grupo de acadêmicos formado predominantemente por homens, que se dedica a estudar Leonardo. “Se ele tinha um problema, eu o achei”, afirma ela. (Tradução de Mario Zamarian)
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